quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Brega - ou - coisas que queremos esquecer lembrando

Na minha infância, em algum momento, uma novela fez muito sucesso na Rede Globo. "Brega e Chique" era o nome. Eu não me lembro da novela, nem sei se assistia, mas minha tia Meire, casada com o tosquíssimo do meu tio Alaor, com certeza assistia. E não sei bem ao certo o porquê, mas ela resolveu me chamar de "Brega". 
Meu pai dizia que era porque a dupla feminina que dava nome à trama era composta por uma morena, "chique", e uma loira - a "brega". E esse seria o motivo do tal apelido. Mas o que leva uma adulta, também loira, mas platinadíssima e absurdamente brega, a apelidar a sobrinha criancinha de "brega" só a Meire poderia responder. E nunca o fez.
Fato é que por algum tempo meu pai me chamou de brega. E o tempo fez com que a voz dele transformasse a palavra em algo vazio do seu significado original. Quase um cafuné. 
E isso me reforça a importância do meu pai, o atenuador de crises, o neutralizador de maldades.
Mas também me faz pensar no que sobrou de "brega" na mulher de hoje.
Ao pé da letra, sou brega em muita coisa. Música, roupa, demonstração de sentimento. Talvez "piegas" seja mais apropriado. Mas já que "brega" se ressignificou, por que não incluir a pieguice também no termo?
Enfim... Hoje não dormi pensando na infância, no meu pai, nas coisas que sinto e faço. E voltei a ser a menininha boba que não entende a grosseria do mundo porque sempre teve a proteção do amor. 
Voltei a ser a menininha carente de colo da infância na chácara com coelhos e cachorros de estimação, subindo no pé de seriguela e tendo medo do lagarto teiú.