sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Do sexo - ou - Ode a Silviano

Enquanto fazia pós-graduação, estudei muitos autores contemporâneos. E não há como negar que há predominância de obras cuja temática seja sexual (como não falar de sexo, se a literatura é brasileira?). Enquanto estudávamos, a professora citava um ou outro nome de autor e indicava algumas leituras. E eu, curiosa que sou, resolvi buscar a literatura de um excelente crítico literário que também criava grandes obras em prosa.
Empolgadíssima com a possibilidade da fazer uma tese sobre um autor contemporâneo e inovador, fui logo comprando todos os livros que consegui encontrar do tal: Silviano Santiago. Sem pensar na temática, buscava algum item relacionado à Teoria da Literatura (escolha de narrador, foco narrativo, personagens, essas coisinhas que gente como eu costuma procurar). E eis que me deparei com a obra-prima da escolha de narradores: Stella Manhattan. Complexidade de focos narrativos, narrador multifacetado, cenário opressor, estrangeiro, personagens esféricas. Tudo o que eu queria. Aí veio o enredo.
Pesado para uma mocinha criada aos moldes interioranos. Mas encarei. O trabalho ficou ótimo: ative-me à questão do narrador e mandei bala! Fui elogiada, consegui o que queria, fiquei feliz.
Mas o estrago já tinha sido feito: quis saber mais sobre o assunto/enredo. E comecei a consumir mais literatura similar.
Para o bem ou para o mal, a sexualidade abordada de maneira literária acende no leitor a curiosidade ou o questionamento sobre a sua própria. E eis o que aconteceu.
Não me considero uma expert no assunto (não me considero nada, aliás), mas ultimamente certas situações tem despertado um pouco mais meu interesse. Como não conhecer outros corpos? Como não experimentar novos contatos? Como negligenciar vontades?
Quando a gente não aplica, nosso cérebro (esse bichinho danado!) transfere para o universo onírico nossas vontades e expectativas. E o meu tem me atentado. Sonho, imagino, idealizo. Mas não vivo. E não exteriorizo. Mas cada sonho!
Noite dessas, sonhei. Sexo com vontade. Muito desejo. Dentro do carro. Nenhuma preocupação com o lugar: o tesão falou mais alto - mesmo. Beijos de enlouquecer, seguidos de ações embaralhadas: as sensações se misturam. O que a boca tem, o corpo pede: pressa de arrancar as roupas, sentir a pele do outro, a boca do outro no corpo. Chupar com gosto - pra sentir o gosto do outro. Gemidos, respiração ofegante: invasão. Sem pressa, mas rápido, urgente. Daquelas trepadas que te fazem mais completa. Das melhores.
...
Sonhos, esses danados.

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