Cresceu ouvindo moda de viola. A avó assistia aos programas da Inezita Barroso, o avô batucava as melodias no braço da poltrona da sala. Achava tudo muito bonito.
Na adolescência - eta fase besta -, vergonha de tudo que indicasse família. De tudo o que não fosse "cool". Desmentia, corava diante dos vinis do pai, posicionados (talvez estrategicamente?) sobre a estante da sala de jantar, aos olhos de todos que entravam na casa pela porta principal. A fim de quê expor aquele disco velho de "Pedro Bento e Zé da Estrada"? O que fazia ali um "Milionário e José Rico"?
Hoje, na beirada dos trinta anos, nostalgicamente se lembra das tardes em que a avó, cansada de toda a trabalheira doméstica para receber os netinhos no final de semana, se sentava no sofazinho surrado da salinha apertada e era feliz assistindo ao "Viola, minha viola". Entende que sempre gostou. E chora.
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