Não é possível saber com propriedade se algo que nos acontece é fruto do acaso ou apenas uma sequência matemática possível pelas nossas escolhas. Entretanto, fato é que algumas coisas acontecem no meu coração que nem o Caetano sentiu quando cruzou a Ipiranga com a Avenida São João. Nem ele, nem ninguém. Coisa do grupo dos inexplicáveis.
E eu sou daquelas, infelizmente, que tenta entender. Tsc. Tentar entender é das piores coisas pra alguém que quer ser feliz. Estou na fase do aprender a desaprender: tentando me desapegar da ideia de que tudo deve ter uma explicação plausível. Fase 1.
Engraçado, no entanto, é pensar que certas coisas inesperadas têm me acontecido. Não sei se foram originadas pelas minhas pequenas escolhas cotidianas, se foram traçadas, se previstas pelo bruxo (esta parte pede um post separado, futuro).
Explicando o mito do Édipo Rei para os meus alunos, ouvi a pergunta: "mas será que tudo aconteceu porque era o destino, ou se o fato de saber o futuro direcionou o fim?". A discussão continuou e me fez pensar no acaso, nas previsões, no futuro. As ironias. "A cartomante", do Machado. "A hora da estrela", da Clarice.
Concluo, por enquanto, que há uma fronteira sutil entre o acaso e a escolha.
E se.
Nota metalinguística: post escrito depois de assistir novamente ao filme "Infidelidade".
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