Pipocam muitos temas na cabeça. Escolho, a esmo, um: a nova riqueza. O novo rico é, via de regra, alguém que, já tendo sido pobre, vê-se em condições financeiras bem melhores (talvez estáveis) e quer anunciar ao mundo que deixou de passar vontade. Tal atitude costuma vir acompanhada de uma série de exageros e de exibicionismo: é preciso ter tudo o que é novo, caro, badalado e modernoso.
Eis que a matéria é, obviamente, o que se vislumbra do mundo dos já chamados "emergentes" - atuais "diferenciados". A essência, infelizmente, também é corrompida pelo apelo excessivo do ideal de posse/posso. Só os que não fazem parte do tal mundo da nova riqueza - ou os que, independentemente do mundo de origem, possuem sensibilidade intacta para perceber as nuances de comportamento - conseguem perceber que a ação de ostentar está indissociavelmente ligada a algum problema que um bom psicanalista daria cabo em alguns anos de tratamento.
É, no mínimo, muito feio, ostentar qualquer coisa material num mundo capitalista de indiferenças. Estúpido, grosseiro, incoerente, insensato - talvez palavras melhores do que o "feio" da frase anterior.
Mas, como boa unespiana que fui, também sei que o extremo oposto é igualmente ridículo: envergonhar-se do que se conquistou, do que se tem - é de dar pena. Lembro-me de que qualquer um com celular (não importava qual) andando pelo campus nos idos de 2001 era visto como "porco capitalista".
Conclusões deste texto desconexo? Poucas. Só me pergunto se, no tempo de Tomás Antônio Gonzaga, Bocage e Rousseau, os caras do "Aurea mediocritas" e do "Inutilia truncat", quando não existiam novos ricos, a busca pelo equilíbrio parecia tão impossível quanto é hoje.
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