Desde que o samba é samba é assim: as coisas mudam e leva-se tempo para acostumar.
Não foi diferente para ele desta vez. Por um segundo imaginou as coisas sendo como antes. Leveza, calmaria, eu-te-conheço-você-me-conhece. O tempo levando embora segundos muito parecidos com os de ontem. Não contava com ela.
A moça do casaco florido, da boca torta, dos olhos verdes. Ela era não-sei-o-quê, ria alto, olhava com o canto dos olhos, via com as mãos, mexia nos cabelos. Ela desconcertava. Assuntos medianos, estatura idem. Tinha ruga na testa, sobrancelha por tirar.
Mas tinha nome de personagem de romance, leveza de alma, carinha de moleca e uma pintinha na palma da mão. Quem era ela? Quem ela achava que era? Não tinha direito! Entrar sem pedir!
Ele não dorme mais. E está tentando entender. Folheia livros, assiste a filmes, ouve músicas - mas não a entende. Sofre por isso.
Ela o olha e pensa: "Sou Macabéa". Ele a vê e suspira: "Clarissa".
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