terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Imitation game - ou - Saga por saga, eu prefiro as novas.

Poliana despertou de um sono profundo. Saiu/caiu da cama e olhou para a parede da caverna. Seu amigo Platão gritou o nome dela no portão. Danado, queria assustá-la. Daqueles sustos sartreanos, clariceanos.
Letárgica, demorou dezesseis anos até chegar ao portão. No caminho, quase em frente à saída, já pressentiu o estranhamento. Um calor diferente, uma luminosidade inovadora, assustadoramente nova. Seus olhos recém-despertos não queriam lidar com aquela visão tão solar, tão quente. 
Resolveu voltar. O aconchego da caverna a fez temer. Tão bom voltar ao ventre, à escuridão do ventre.
Mas o estrago estava feito. Platão chamou novamente. Dessa vez o redemoinho no estômago não se acalentava nem com a familiaridade do espaço conhecido. Sem abrir os olhos, cheia de medo e paradoxalmente disposta, foi tateando as paredes da caverna, de olhos bem fechados, guiando-se pela sensação de calor que vinha da entrada. Saiu e sentiu o sol. Abriu os olhos e não enxergou nada. Não sabe quanto tempo demorou para , cabisbaixa, voltar a ver. 
A primeira imagem foi amarela: a blusa solar que vestia. 
Platão, observando o processo, riu. "Você sempre teve alma solar, mas precisou sair sozinha ali de dentro pra entender isso. E quanto ao futuro?"

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