terça-feira, 20 de junho de 2017

"Ainda há tempo" - ou - O insustentável peso do ser

Criolo disse que "as pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo".
Há?

Aquele medo de o outro te olhar e te ver como você teme ser vista. Aquela sensação de ser nada ou quase nada. Aquela culpa que sempre te acompanhou. Aquela sensação de não merecer nada bom - porque seres pequenos e incompletos não merecem nada bom mesmo...

Pela janela, a um dia do inverno. Ao redor, bagunça de quem se sabota. Por dentro, só tristeza.

Não enxerga nada bom em si mesma? Não compreende o que faz? Não consegue manter o que faz feliz? Aquelas palavras duras são merecidas?

Não é questão de estar desconexa. É de saber que se iludiu - consigo mesma, especialmente.

Querer ser, querer ter o que julgava merecer...

"Você é um monte de farelos ambulante". "Você é exagerada". "Você não entende nada". Pensamentos fantasmas, esses.

Pesada, quando queria ser leveza. Olhar nos olhos e se enxergar tão menor. Não saber nunca expressar o que sente. Incompetente.

O espelho me chama de velha. Eu não tenho forças para discordar.

Ver tudo o que sempre quis se desfazer.

Entrega é isso: perder o chão.

Perdi...

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