Ontem eu fui assistir ao filme Cisne Negro. Merece um post só pra ele, coisa que pretendo fazer depois. Mas o fato me motivou a pensar nos filmes que, depois de vistos, fizeram com que eu mudasse meu norte, minha visão sobre muitas coisas. Sempre o "Quem tem medo de Virginia Woolf", sempre o "As horas". Há tantos outros, mas esses dois últimos foram, ao meu ver, essenciais para minha formação intelectual. Atualmente, acrescentei ao hall dos most importants o filme "Foi apenas um sonho". Razões não faltam.
Antes de mais nada, banalidade - eu desenvolvi um fascínio inexplicável pelo Leonardo di Caprio. Sempre tive, mas ele é um desses casos que eu chamo de "pessoas-vinho", que melhoram com a idade (em tudo).
Há também a particularidade de o casal ser formado pelos atores que se eternizaram no filme "Titanic" - sim, essa eternidade Blockbuster não era merecida, mas foi bem redimida com o tal filme.
Casados há alguns anos, mas muito jovens, as personagens mostram-se insatisfeitas com a vida "status quo" que levam. Ele tem o mesmo emprego que o pai teve, em uma firma massacrante. Ela é uma dona de casa amargurada. Eles têm filhos, precisam ter uma vidinha que os sustente. Entretanto, a sensação de insatisfação faz com que ambos projetem uma saída, vislumbrem um futuro que não seja espelho do que já vivem. Nada melhor do que recomeçar em um lugar diferente, com o qual ambos sonhavam: Paris!
Fazem de tudo para que o sonho - visto como leviano e irracional por grande parte dos conhecidos - seja colocado em prática. E a partir daí o filme se torna muito introspectivo, psicológico e visceral.
A partir da projeção de um sonho, estabelece-se o inevitável: diante da expectativa criada, tudo o que os rodeia passa a ser cada vez menor, menos importante e interessante. Parece óbvio. Mas o que acontece quando o sonho não dá certo e é necessário voltar ao que se tinha antes, ao que se era antes?
Aplico tantas dessas sensações trabalhadas no filme com o que vivo! Como, depois de vislumbrar e de conhecer o mundo lá fora, voltar a se acomodar com o que se tem?
Eu nunca entendi o truque da cartola... Mas meu problema em entendê-lo não era saber como o coelho foi tirado de lá de dentro: o problema era entender como fazer para, depois de retirado, colocar o coelho de volta.
Acho que os sonhos e os desejos são um pouco assim: coelhos que saltam da cartola. Mesmo que o truque funcione, e que engane o espectador, o mágico nunca é capaz de fazer o coelho voltar lá pra dentro.
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