domingo, 17 de abril de 2011

A sacrassaga - ou - Neologismos à flor da pele - ou ainda - Eu, cubista.

Quando o Guimarães Rosa não conseguia exprimir o que estava sentindo, pensando ou criando com palavras da nossa tão vasta e cansativa língua portuguesa, dava-se ao luxo de criar verbetes. E, claro, como possuía conhecimento de mais ou menos vinte outras línguas, misturava tudo. Num samba de crioulo doido, inventou "Sagarana", por exemplo.
Pois eu estou criando palavras, pensamentos e sensações usando o mesmo princípio. Se não há como explicar, cria-se outra coisa. Se não há nada que satisfaça, mistura-se para criar uma outra coisa. A fórmula parece algo cubista, e de fato, com o uso que faço, é. Cubismo linguístico para Guimarães, cubismo sentimental para mim.
Várias perspectivas sobre uma mesma imagem levam à sobreposição e recriação, uma nova visão. Pois eu, neste final de semana, tornei-me cubista. Adquiri novas visões sobre as mesmas coisas, pura e simplesmente porque mudei o ângulo de visão. Olhar o mesmo com olhar novo, distanciado até.
Nunca imaginei que Guimarães Rosa e Picasso pudessem ser tão assimetricamente parecidos. E eu, no meio dessa comparação, criando novos sentimentos em relação às mesmas pessoas de sempre.
Bom (re)ver conceitos. Melhor ainda reforçar, ratificar o "quem sou eu". Os orientais, ironicamente, acreditavam que, às vezes, é preciso dar uma passo para trás para poder dar dois para frente, depois.
Pois então: misturei o que já sentia, o que passei a sentir e o que gostaria muito de sentir e criei um novo sentimento. Batizei-o de... (preciso criar um nome).

3 comentários:

  1. Primeiro: postado ao som de "Noites com sol", de Flávio Venturini, tocando na tevê, canal Globo News, programa Sarau.

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  2. Segundo: Depois que publiquei, fiquei lembrando do primeiro conto do "Sagarana", o "Burrinho Pedrês". E não tem como ser mais parecido!!! Só lendo para saber...

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  3. Sim, e reitero e ratifico meu "quem sou eu". Simples assim.

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