sábado, 5 de outubro de 2013

Cento e oitenta graus - ou - Reclassificando

Eu tenho uma teoria. Quando uma amizade começa a degringolar, há apenas duas saídas: ou se corta de uma vez por ter morrido a origem do carinho, ou se reclassifica a amizade.
Há pessoas que não são amigas incondicionalmente. Há pessoas que só "servem" para falarmos de trabalho, ou de cinema, ou de bobagens, ou de assuntos específicos quaisquer. E há os amigos. Já reclassifiquei muita gente em 2015. Amigos que imaginava serem medianos agora são essenciais.E muita gente tão importante hoje está um degrau abaixo. 
Jogar fora? Só em casos extremos. Sem essas efemeridades, mal do século. Reclassificação é respeito: pela história, mas principalmente por mim. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Sobre o quase autismo - ou - Raízes do problema

O ano de 2013 tem sido de mudanças. De tudo. Estado civil, cidade, casa, apartamento, trabalho, estudo. Clarice e o seu "quanto ao futuro"...
Logo eu, uma autista leve, que se revira com qualquer mudança de rotina. Sofrimento, já esperado. Mas uma prova de que eu sou mais forte do que imaginava. Cada despedida do antes me causa uma angústia desmedida. Detesto desapegar. Mas sei que só esses chacoalhões me fazem sair do conforto. Não fosse assim, viveria sempre do mesmo jeito. Mas sofro.
Preciso pensar mais para escrever mais claramente sobre tudo isso. Por enquanto, agridoce. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Dínamo emperrado - ou - A saga

Em uma aula de Literatura Brasileira nos meus idos de graduação unespiana, minha professora teceu comentários interessantíssimos sobre a personagem Augusto Matraga, protagonista do conto "A hora e a vez de Augusto Matraga", do tão "vestibulável" Guimarães Rosa e seu "Sagarana". Nunca fui dessas apaixonadíssimas por Guimarães - sempre o vi como excelente, mas sem o "quê" que me cativasse. Ou seja: eu sou talvez a única professora de Literatura que não coloca num pedestal o médico-escritor-sertanejo-mineiro, embora reconheça sua grandeza. Entretanto, o tal Augusto me conquistou de imediato.
Na aula, minha professora fazia uma abordagem inovadora ao tratar uma obra tão explorada pelos professores de cursinhos pré-vestibulares - afinal, a intenção da graduação era apresentar novidades, escritores fora daquele rol de medalhões luso-brasileiros. E, de fato, falava com minúcias que as poucas aulas vestibulandas não poderiam abordar. Na maravilhosa aula, um comentário - que não foi exatamente dela, e sim uma citação de um crítico literário sobre a personagem - me prendeu a atenção e ficou gravado indelevelmente. Comparando nhô Augusto a Paulo Honório (protagonista de "São Bernardo", do merecidamente grandioso Graciliano Ramos), a professora disse que ambos se tratavam de "dínamos emperrados". E explicou, em seguida, a comparação: o dínamo, via de regra, transforma energia mecânica em energia elétrica. Tal energia transformada nada mais é do que transformar o movimento, a ação em energia propriamente dita. Entretanto, se emperrado, a energia mecânica aplicada não se transforma em nada. É desperdiçada. A ação não produz efeito algum, embora haja o esforço.
Fiquei com a imagem triste na memória. E confesso que a retomava toda vez que tentava educar, transformar, ensinar algo e não conseguia. Vez ou outra, então, relia "São Bernardo" e, mais raramente, o conto de "Sagarana", para reviver o dinamismo emperrado de seus protagonistas. Mas nunca imaginei que me sentiria tão familiarizada com a comparação quanto agora.
Sinto-me tão impotente diante de alguns acontecimentos recentes que tenho a impressão de que todos os meus esforços têm sido em vão. E tenho tanta vontade de agir, de criar, de transformar - e pouco acontece, em contrapartida.
Nunca me foi tão caro/claro um aprendizado unespiano.
Correndo o risco de ser repetitiva e, principalmente, literária demais, sempre sou Drummond porque "Tenho apenas duas mãos/ E o sentimento do mundo". Sinto muito, faço o que posso e emperro.
Embora eu saiba que a efemeridade do momento é certa, ainda me dói saber que quero tanto e pouco posso.

domingo, 7 de outubro de 2012

De como estamos - ou - De como não estamos

Eis que tudo se dissipa logo após o momento tênue. Tudo o que se tem é o instante. Tudo é volátil. Efemérides da vida. Correnteza.

Ao fechar a porta, a sensação de incerteza. Não ruim: vazia. Eis que cada instante suspenso ecoa. Ecoa tanto que, depois de tanta repetição, perde o sentido. Não por não valer, mas por não ser entendido.

Eu volto. Mais tarde. Quando mais instantes passarem e eu puder (não) entender melhor.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Acerca da calmaria

Ciclicamente, eu sumi. Mas este tempo de calmaria foi de autoconhecimento. De acomodação de tantos sentimentos incompatíveis entre si. Organicamente falando, precisei de repouso para levantar. Penso que isso resume.
No mais, uma série grande de mudanças - ou uma série de grandes mudanças. Cidade, trabalho, estado civil, faculdade, talvez profissão.
Sou realmente paradoxal: busquei por muito tempo tudo isso, mas, agora que tudo está por acontecer, deu vontade de parar o tempo um pouquinho.
O que eu chamo jocosamente de "autismo meu" é isso: eu lido muito mal com mudanças, mesmo as mais esperadas. Sofro demais!
Trinta e um anos e eu não sei o que vou fazer longe do colo da família. Estão acabando os almoços prontos da mãe, as frutinhas cortadas no café da manhã pelo pai, as ajudas nos perrengues "informáticos" do irmão, o sossego de se saber protegida, segura. Conhecer como a palma da mão cada canto da casa, barulhinhos peculiares. Os animaizinhos de estimação. Uma história.
Escreverei mais um post sobre a dificuldade de dizer adeus - essa minha tão doída característica. Por enquanto digo que voltei. Porque não consigo deixar de escrever.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Versículo vinte-sículo vinte Século vinte e um - ou - inovações.

Pela primeira vez, postando algo via celular. Será apenas um teste, mas que fique registrado que, com 30 anos, ainda me bestifico com a tecnologia.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Platão acorrentado (e não Prometeu) - ou - Fiat lux

Em uma aula perdida em suas incontáveis memórias de aulas marcantes, aprendeu sobre Platão e o mito da caverna. Entendeu, então, que há caminhos sem volta. Conhecimento, por exemplo, é um desses caminhos. Conhecer ideias, culturas, pensamentos, erros. Saber.
Mas o saber que mais atormenta é, sem dúvida, o saber que se errou. E lidar com essa ideia é o grande desafio.
Errar e aceitar o fato. Aceitar, principalmente, que certos erros não podem ser corrigidos. Não há retratação: faz parte do pacote chamado "escolhas".
Resta uma dúvida: certos erros são, na metafórica narrativa platônica, a liberdade da caverna ou a prisão em suas mais obscuras profundezas?
Quem sabe, nenhum dos extremos seja a resposta. Mas há de haver mais luz nessa escuridão de dúvidas. E quem sabe a luz, neste caso, seja o tempo.