sexta-feira, 4 de março de 2011

Síndrome da verborragia - ou - As proporções

O homem do século XXI enaltece muito a fala: supervaloriza. Há uma cultura do falar tudo o que se pensa - e esses blogs são retrato disso (tsc tsc tsc), de se valorizar tudo o que se fala, e de se partir do princípio de que se deve ser ouvido. Se todos querem falar, quem resta para ouvir? Terapeutas. Profissão do futuro! E do presente, claro.
Tenho aprendido a duras custas que, na maioria dos casos, é melhor calar. Não de apatia, não de conformismo: de solidariedade com aquele tão esquecido silêncio necessário.
Parece óbvio (e é): quem não ouve, não aprende. Isso justifica a massa de pessoas desatentas e sem conhecimento desse Brasil. Uma professora da finada quinta-série (hoje, "tucanada": sexto ano) disse em uma aula para um amigo meu, que conversava durante sua explicação, que Deus deu ao homem dois ouvidos e uma boca para que ele os usasse nessa proporção. Na época, achei engraçado o fato de ela envolver Deus para justificar o pedido de silêncio (de repente, são episódios como esse que me alimentaram a culpa católica de tudo). Hoje percebo que, com Deus ou sem Deus na justificativa, a força da expressão é a mesma.
Sábia dona Sílvia, minha professora de matemática, que me deixou este legado: as proporções.

Um comentário:

  1. Oi Clarissa! Ou devo dizer, professora! haha

    Que bom que gostou do meu blog, é sempre bom ouvir um elogio, e fico honrada de ter aproveitado a foto do corinthians...quero saber como foram as represálias!
    Quanto ao seu blog, texto muito legal, e concordo plenamente com vc, apesar de eu própria ser uma desproporcional...falo mais do que o necessário, mas também sei ouvir quando preciso! Acho que é por isso que eu criei o blog, nem minha boca tava dando conta de tudo que eu tinha a dizer! Mas tá valendo!

    Apareça! E obrigada!

    Bianca

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