sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ata - ou - Diga-se de passagem

Hoje é dia seis de janeiro de 2011. Devo guardar esta data.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Rito de passagem - ou - Prós e contras

Na contagem regressiva para 2011 chegar, ela chorou. Mais do que o efeito dos fogos de artifício, mais do que o efeito do sentimentalismo enlatado dos programas de televisão, mais do que a distância da família - ela chorou por outra coisa.
Ela chorou por deixar para trás um ano de conquistas, de realizações - um ano de segurança. Ela chorou por não saber o que o futuro reserva a ela. Ela chorou por não ter saber, por não ter certeza, por não ter plano.
Ela chorou por ter visto acabar algo que foi tão bom.
Ela chorou por outras coisas também. E ela chorou muito.
E, depois do choro, ela começou a se acostumar com a novidade.
A pequena morte deixou a saudade.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Tudo por acaso - ou - a verdade que não pode ser dita.

Achou que estava decidida. Achou que sabia todos os percalços pelos quais passaria - e achou que saberia se livrar de todos eles. Mas quem acha pode perder. E ela se perdeu nos seus achamentos... E hoje, não sabe de mais nada.

Sobreviventes da confraternização - ou - Acerca da família

Iguais e diferentes. Eis o conceito que tenho sobre meus familiares. Quando me refiro a "familiares", falo de primos, tios - não aqueles que dividem o teto comigo. Impacientes, falantes, irritadiços, impertinentes, mal-agradecidos - mas, incoerentemente, também engraçados, brincalhões, companheiros, unidos...
Ainda bem que existe a distância, que consegue maquiar os defeitos e ampliar as qualidades. Idealização, talvez. Obra da saudade. Mas a convivência ressaltaria as falhas. Quem diria que duzentos quilômetros fariam tão bem à família!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Porque é preciso dizer... - ou - para constar nos autos:

Eu tenho o melhor pai do mundo. Incontestavelmente.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Quero ser Jerry Seinfeld" (paródia descarada ao "Quero ser John Malkovitch") - ou - Ceticismo para principiantes

Anos atrás, "Seinfeld" era recorde de audiência nos Estados Unidos, seu país de origem. Vários eram os motivos: a comédia corporal de Kramer, o pseudonamoro com Elaine, o reconhecimento do público na figura "gauche" de George - ou qualquer outra coisa.
Os diálogos eram ótimos, as situações eram extremamente comuns, usuais - e o apelo ao cidadão comum (o "next door") era óbvio. Mas uma coisa que sempre me intrigou foi a situação de pseudocoadjuvante de Jerry Seinfeld.
Sim, o show tinha seu nome. Sim, os comentários, abstrações, constatações sempre vinham dele. Sim, ele era uma paródia de si mesmo. Meio "metaficção historiográfica". Mas ele era apenas o meio para que outras personagens aparecessem. Nunca foi protagonista no pleno sentido - ao meu ver.
Nada do que acontecia com ele dependia de uma atitude inicial dele mesmo - ele só reagia, ou raramente agia. Era motivado.
Claro, sei que isso tem a ver com a intenção dos roteiristas e talz, mas, de certa forma, sempre achei que ele desempenhava um papel único e perfeitamente desenhado para ele: o de "rebater" as situações do dia-a-dia e ser o espelho do "american citizen". A desmistificação do "american dream".
Ele fazia tudo isso muito bem; afinal, por trás da personagem, existia o brilhante Jerry Seinfeld em carne e osso, movendo seus pauzinhos.

Tá. Tudo isso para poder chegar a outra questão: Jerry Seinfeld parodiou a si mesmo e manipulava sua personagem a fim de projetar através dela valores, (pseudo)verdades, críticas - as quais ele, na realidade, talvez nem fizesse.
Pensei, pensei, pensei.
Conclusão: acho que convivo com "Seinfelds". Sim: seres que projetam imagens trabalhosamente criadas de si mesmos, a fim de rebater. Escondem-se embaixo da fantasia, reagem e não agem. Cópias. Fakes.

Estou trabalhando nesta tese: "A projeção paródica em Seinfeld: efeitos colaterais". Mas preciso de mais tempo.