Outro filme de época? Sim, ela adorava! Insistiu para que pegassem a primeira sessão da noite: 19 horas. E isso era noite para quem conhece a verdadeira noite? Ele não teve a audácia de dizer; contentou-se com o pensamento e com o silêncio. Sim, você sai do trabalho e me encontra lá na frente, ok? Assim, fica mais fácil. Será que eu poderia inventar uma desculpa esfarrapada? Uma complicação de última hora no trabalho, talvez. Porque as desculpas do trânsito e do ônibus lotado soam tão clichês - embora tais clichês sejam mais verdadeiros do que antes. Não, ela não acreditaria. Pior: emburraria sabe-se lá por quanto tempo. Combinado? Claro! Beijinhos na testa e as pernas se despedem: cada par para o seu lado.
Do lado esquerdo, nosso galante herói, subjugado pela força da imperatriz malvada. Bravamente carrega nos ombros a rotina de uma profissão que consome a seiva de nosso protagonista. E o dia assim se empurra, é empurrado. E as horas se esfarelam diante dele na mesa do almoço, enquanto come o pãozinho de aperitivo. Toda a tarde é maçante, meus senhores! Mas nosso guerreiro resiste. Vê o tempo passar a pernadas a caminho do nada. E chega o horário de partir.
No caminho, pensa no motivo que a leva a gostar tanto de filmes de época. Elabora teorias. Todas muito ilusórias. Confuso, ela é confusa: pior do que filme do David Lynch. E não é uma confusão bonitinha, como se ela fosse uma daquelas mulheres excêntricas e perfeitinhas de filme de Woody Allen. Nada. Confusa porque plana demais. Irritante.
Já cheguei. Ela, atrasada. Detesto chegar antes e ficar esperando por um compromisso que eu faria questão de desmarcar.
Ela chega. Beijo no rosto, fila de ingressos, fila de pipoca e água com gás. Mais sal. Um canudo, por favor.
A sala lotada. Cinema ruim, não se escolhe poltrona no ato da compra? Tá, não acho dois lugares juntos. Eu fico aqui, vc se senta lá.
E o filme começa.
Ela não está ao lado para fazer comentários desnecessários durante o filme.
Ela levou a pipoca, a água com gás, o canudo e o sal. Mas deixou uma calma...
Foi o primeiro filme de época de que nosso herói realmente gostou.
sábado, 26 de março de 2011
"Once upon a time" - ou - "In a kingdom far far way"
Outro filme de época? Sim, ela adorava! Insistiu para que pegassem a primeira sessão da noite: 19 horas. E isso era noite para quem conhece a verdadeira noite? Ele não teve a audácia de dizer; contentou-se com o pensamento e com o silêncio. Sim, você sai do trabalho e me encontra lá na frente, ok? Assim, fica mais fácil. Será que eu poderia inventar uma desculpa esfarrapada? Uma complicação de última hora no trabalho, talvez. Porque as desculpas do trânsito e do ônibus lotado soam tão clichês - embora tais clichês sejam mais verdadeiros do que antes. Não, ela não acreditaria. Pior: emburraria sabe-se lá por quanto tempo.
Combinado? Claro! Beijinhos na testa e as pernas se despedem: cada par para o seu lado.
Do lado esquerdo, nosso galante herói, subjugado pela força da imperatriz malvada.
Bravamente carrega nos ombros a rotina de uma profissão que consome a seiva de nosso protagonista. E o dia assim se empurra, se é empurrado. E as horas se esfarelam diante dele na mesa do almoço, enquanto come o pãozinho de aperitivo. Toda a tarde é maçante, meus senhores! Mas nosso guerreiro resiste. Vê o tempo passar a pernadas a caminho do nada. E chega o horário de partir.
Eu não quero me atrasar! Saio agora e ninguém vai notar.
Combinado? Claro! Beijinhos na testa e as pernas se despedem: cada par para o seu lado.
Do lado esquerdo, nosso galante herói, subjugado pela força da imperatriz malvada.
Bravamente carrega nos ombros a rotina de uma profissão que consome a seiva de nosso protagonista. E o dia assim se empurra, se é empurrado. E as horas se esfarelam diante dele na mesa do almoço, enquanto come o pãozinho de aperitivo. Toda a tarde é maçante, meus senhores! Mas nosso guerreiro resiste. Vê o tempo passar a pernadas a caminho do nada. E chega o horário de partir.
Eu não quero me atrasar! Saio agora e ninguém vai notar.
domingo, 20 de março de 2011
Documentando - ou - Promessa é dívida!!!
Não, não é mais uma promessa de domingo: tenho até julho para emagrecer, pelo menos, cinco quilos. Por quê? Porque eu achei uma calça que eu amava na minha gaveta e eu faço questão de colocá-la novamente. Sei que não existe outra do gênero no mercado, porque é algo muito exclusivo. Então, vou ter que voltar a caber naquela mesmo... E, como eu funciono pela culpa, vou colocar aqui a meta para, toda vez que lê-la, poder me sentir culpada se não a seguir.
Além do mais, tem outra coisa: se eu prometi (nem que seja a mim mesma), eu vou cumprir. Porque eu sou assim. Eu demoro para exteriorizar desejos, mas se o faço, eu cumpro. Simples assim. E o mundo seria um lugar melhor se todos fizessem o mesmo.
Enfim, eu vou emagrecer: seja pela força de vontade, seja por esse remédio amargo pra gastrite que me deixa sem paladar...
Além do mais, tem outra coisa: se eu prometi (nem que seja a mim mesma), eu vou cumprir. Porque eu sou assim. Eu demoro para exteriorizar desejos, mas se o faço, eu cumpro. Simples assim. E o mundo seria um lugar melhor se todos fizessem o mesmo.
Enfim, eu vou emagrecer: seja pela força de vontade, seja por esse remédio amargo pra gastrite que me deixa sem paladar...
sexta-feira, 18 de março de 2011
Reolhares - ou - A tradição da ruptura
Depois de anos, olhar para o mesmo com o olhar maduro. Saber que os defeitos são inerentes e sempre foram - mas debaixo da poeira acumulada pelo tempo, ainda há suntuosidade. E resgatar, na imagem já tão desgastada, as mesmas sensações de quando era tudo primeira vez.
Cíclico. Único. Verdadeiro. Eis-me. Ei-lo. E, já que a vida nunca mais poderá ser a mesma, que seja mesmo assim.
Cíclico. Único. Verdadeiro. Eis-me. Ei-lo. E, já que a vida nunca mais poderá ser a mesma, que seja mesmo assim.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Digno de nota - ou - Efeito placebo?
Depois de meses e meses, reservei parte da noite de ontem pra sentar num boteco e tomar cerveja! Nada melhor do que retomar velhos bons hábitos.
Hoje? Sono, muito sono. Mas o humor, esplêndido! Placebo ou não, o que me interessa são os fins e não os meios.
Hoje? Sono, muito sono. Mas o humor, esplêndido! Placebo ou não, o que me interessa são os fins e não os meios.
terça-feira, 15 de março de 2011
Qualquer dia desses... - ou - Ser incondicionalmente...
Qualquer dia desses, eu peço licença pros alunos, pra poder filmar umas aulinhas. Sim: porque tem coisa que acontece em sala de aula que daria matéria excelente pra crônicas, contos ou qualquer texto ficcional.
Já ouviram falar de professor que teve que socorrer aluno que tira bicho de pé com a ponta do compasso e se machuca? De professor que tem que fechar a porta da sala pra namorada de um carinha não entrar pra pegar no soco a amante dele, que é aluna? De aluno que faz festa surpresa, em outubro, pra professora que faz aniversário em julho, só pra ela não desconfiar? De professora que faz excursão pro Hopi Hari, sobe numa mureta do parque e se finge de estátua só pra poder baterem foto? De professora que, de tanto contar história, ganhou o apelido de "Forrest Gump"? De tanta coisa boa, de tanta coisa ruim...
A vida tem dessas.
Quem sabe escolho algumas pautas e parto pra ação: já pensou se vira livro?
PS: Tudo isso porque ouvi um "muito obrigado" de um aluninho que se formou em Jornalismo, e diz que foi por minha causa...
Já ouviram falar de professor que teve que socorrer aluno que tira bicho de pé com a ponta do compasso e se machuca? De professor que tem que fechar a porta da sala pra namorada de um carinha não entrar pra pegar no soco a amante dele, que é aluna? De aluno que faz festa surpresa, em outubro, pra professora que faz aniversário em julho, só pra ela não desconfiar? De professora que faz excursão pro Hopi Hari, sobe numa mureta do parque e se finge de estátua só pra poder baterem foto? De professora que, de tanto contar história, ganhou o apelido de "Forrest Gump"? De tanta coisa boa, de tanta coisa ruim...
A vida tem dessas.
Quem sabe escolho algumas pautas e parto pra ação: já pensou se vira livro?
PS: Tudo isso porque ouvi um "muito obrigado" de um aluninho que se formou em Jornalismo, e diz que foi por minha causa...
sábado, 12 de março de 2011
De uns tempos pra cá - ou - O certo e o duvidoso
De uns tempos pra cá, tenho conhecido pessoas interessantíssimas. A maioria, graças à amiga querida, Andréa. Outro bom tanto graças ao namorado. Algo ainda conseguido pela vontade de conversar com "estranhos" que ando tendo. Mas tanta gente interessante me faz pensar em quanta gente desinteressante existe no mundo e que só percebemos quão desinteressantes são/eram/sempre serão quando nossos olhos se abrem ao novo.
Que bom que tenho pessoas interessantes na minha vida, que me alegram com o acréscimo de outras pessoas interessantes! E melhor ainda: que bom que essas pessoas interessantes, quando me conhecem, se referem a mim como uma pessoa interessante.
Resumo: novas amizades, novos contatos, novas expectativas. Lanço um olhar de novos "quereres" no horizonte. E renovo meus ideais. E deixo sair aquilo que não me vale mais. É como diz o meu querido Lenine: "É o que me interessa".
Vale até colocar aqui.
É O QUE ME INTERESSA
(Lenine)
Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa
Que bom que tenho pessoas interessantes na minha vida, que me alegram com o acréscimo de outras pessoas interessantes! E melhor ainda: que bom que essas pessoas interessantes, quando me conhecem, se referem a mim como uma pessoa interessante.
Resumo: novas amizades, novos contatos, novas expectativas. Lanço um olhar de novos "quereres" no horizonte. E renovo meus ideais. E deixo sair aquilo que não me vale mais. É como diz o meu querido Lenine: "É o que me interessa".
Vale até colocar aqui.
É O QUE ME INTERESSA
(Lenine)
Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa
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