quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"Let's face the music and dance" - ou - A arte do nada fazer e tudo querer - ou ainda - Por que Fernando Pessoa é tão atual...

Fui assistir à exposição do Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa. Não gostei muito: tudo muito parecido com o que já foi feito lá. Uma judiação, porque ele merecia algo arrebatador, como ele(s) - ele e seus heterônimos.
Entretanto, algo me fez pensar no porquê da escolha de Fernando Pessoa para ser matéria de exposição - boa ou não. Claro que ele mereceria uma exposição das boas, por seu valor artístico, por sua influência literária, pela sua grandiosidade. Mas, para mim, ele merece uma homenagem principalmente porque conseguiu se expressar através da criação de personalidades que o completassem, que expressassem o que ele gostaria de ser, ou o que abominava - mas que fossem ligadas a ele, para o bem e para o mal.

Pensei, enquanto voltava para casa ontem, que todos nós podemos ser Pessoas - pelo menos, eu posso. Tive certeza ontem de algo que já imaginava: consigo ser eu e outra. Indissociavelmente. Duas partes que se completam, que se diferem, que se intercalam.
Entretanto, um dos heterônimos sempre se sai melhor. No caso de Pessoa, por exemplo, Alberto Caeiro: ele foi coroado mestre. No meu caso, ainda não sei.

Acho que travei. Quer dizer, travei mesmo. Não consegui ser "eu". Tudo pareceu surreal: parecia que eu era expectadora, e não protagonista (ou mesmo coadjuvante). Ser expectadora da própria vida, dos acontecimentos importantes - é foda. O fato é que parecia que não estava acontecendo comigo, ou estava, mas em um universo paralelo. Vale não ser "eu" em um universo paralelo?

Mas o que me consola é que, independentemente de agir como ortônima ou heterônima, agi. Como diz minha amiga Diana Krall: "Let's face the music and dance". E eu me permiti viver.

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