terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tragédia em 7 atos - ou - Angústia (e não é obra do Graciliano Ramos, embora o sobrenome seja o mesmo)

Tragédia em 7 atos - cenas únicas

ATO 1
Tentativas, persuasões, dúvidas.

ATO 2
Confirmação, palavra de honra, lucro, expectativas, envolvimento.

ATO 3
Começo de enrolação, pequena hesitação, fôlego, expectativa.

ATO 4
Confirmação, palavra de honra, lucro, expectativas, envolvimento.

ATO 5
Desastre, fúria, explosões, angústias, quebra, desconfiança.

ATO 6
Conversa, panos quentes, mais enrolação, prazo, palavra de honra.

ATO 7
Angústias, quebra, desonra, desonestidade, decepção.

(Juro que quero escrever o 8o. ato, com teor mais ameno, leve, feliz)

Estômago - ou - O calcanhar de Aquiles

Sim: tudo de ruim que me acontece acaba em dor de estômago. Sempre foi meu ponto fraco pra tudo. Engordo porque ele pede comida, como demais e ele dói. Paro de comer e ele queima. Fico nervosa e ele sangra.
Meu estômago é meu espelho: se estou bem, ele está bem; se estou mal, ele está também.
Dor desde quinta-feira à noite. Noites mal-dormidas desde então. A ansiedade pelo recomeço de amanhã só faz piorar.
Aquiles tinha seu calcanhar. Eu, o estômago. Igualmente sem glamour, Aquiles e eu temos pontos fracos. Mas ele só foi atingido no calcanhar uma vez.

Se eu pudesse resolver o que me aflige, se eu pudesse enxergar uma saída. Ah, se meu estômago falasse com a boca que todo mundo diz que ele tem...

(FRAGMENTO 1 - Observação para o futuro: depois que tudo passar, vale lembrar quem manteve a palavra e quem novamente "pipocou" - sabe-se lá quantas vezes).

(FRAGMENTO 2 - De novo, Dom Quixote. Mas às avessas: julga serem moinhos de vento o que são, na verdade, gigantes. Admiração e tristeza)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A arte de (re)escrever - ou - Não faz assim...

Pois então... Pensei durante as miniférias em muita coisa boa, matéria de textos. Até cheguei a publicar um, agorinha. Mas reli, não gostei, apaguei.
Ah, se a vida fosse assim: a gente apaga o que saiu errado...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Snowed Under" - ou - A busca pelo Santo Graal

Fiquei durante muito tempo, anos atrás, ouvindo Keane constantemente. E minhas percepções sobre as letras e melodias foram variando à medida em que eu também variava. Ora pareciam muito abstratas, imprecisas - até com cara de "feitas às pressas", ora eram a verdade que eu precisava ouvir. Desconexas, mas pungentes.
Hoje, enquanto voltava de um passeio em busca de presentes e encomendas, ouvia minha seleção de músicas do MP4: um pout pourri de tanta coisa que ficou gravada ao longo dos anos no meu computador. Entre tantas, começou a tocar a seleção de Keane. E uma música que não ouvia há tempos me abriu os olhos - que é a que dá o título a este post tão sem sentido, sem critério, sem intenção, sem compromisso.
É: acho que estou na fase de achar que a arte imita a vida, e que Keane me é necessário.
Depois de ouvi-la, andei por um bom tempo, olhando o solzinho encabulado que saiu de trás das nuvens pesadas da chuva de antes - e me dei conta de que eu sou especial demais para não ser tratada como tal. E tal revelação fez com que eu ganhasse meu dia.
Tá, não foi só a música do Keane. Mas achei a coincidência tão bonitinha...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Lenine e "O silêncio das estrelas" - ou - Existencial.

São Paulo.
Sozinha, ela fumava e escrevia, ouvindo “Dancing in the dark” da Diana Krall... Olhando nuvens rosadas pela janela da área de serviço. Sentindo-se a própria GH da Clarice. E sonhando que sua fumaça se juntava às nuvens e ia longe – e com ela, um pedaço do que já a pertenceu. E a lua se encobriu de fumaça, de nuvem  - e de silêncio.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"Let's face the music and dance" - ou - A arte do nada fazer e tudo querer - ou ainda - Por que Fernando Pessoa é tão atual...

Fui assistir à exposição do Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa. Não gostei muito: tudo muito parecido com o que já foi feito lá. Uma judiação, porque ele merecia algo arrebatador, como ele(s) - ele e seus heterônimos.
Entretanto, algo me fez pensar no porquê da escolha de Fernando Pessoa para ser matéria de exposição - boa ou não. Claro que ele mereceria uma exposição das boas, por seu valor artístico, por sua influência literária, pela sua grandiosidade. Mas, para mim, ele merece uma homenagem principalmente porque conseguiu se expressar através da criação de personalidades que o completassem, que expressassem o que ele gostaria de ser, ou o que abominava - mas que fossem ligadas a ele, para o bem e para o mal.

Pensei, enquanto voltava para casa ontem, que todos nós podemos ser Pessoas - pelo menos, eu posso. Tive certeza ontem de algo que já imaginava: consigo ser eu e outra. Indissociavelmente. Duas partes que se completam, que se diferem, que se intercalam.
Entretanto, um dos heterônimos sempre se sai melhor. No caso de Pessoa, por exemplo, Alberto Caeiro: ele foi coroado mestre. No meu caso, ainda não sei.

Acho que travei. Quer dizer, travei mesmo. Não consegui ser "eu". Tudo pareceu surreal: parecia que eu era expectadora, e não protagonista (ou mesmo coadjuvante). Ser expectadora da própria vida, dos acontecimentos importantes - é foda. O fato é que parecia que não estava acontecendo comigo, ou estava, mas em um universo paralelo. Vale não ser "eu" em um universo paralelo?

Mas o que me consola é que, independentemente de agir como ortônima ou heterônima, agi. Como diz minha amiga Diana Krall: "Let's face the music and dance". E eu me permiti viver.

"Ela desatinou" reloaded - ou - Porque eu ouvi Chico na tevê...

É... Definitivamente meu ano começou diferente.

E, pra completar, ao chegar em casa assisti a um capítulo da minissérie musical com base em músicas do Chico. Hoje? "Te perdoo".

A vida é cheia de coisinhas engraçadas...